sexta-feira, fevereiro 26, 2016

TONINHO

HOJE É O MEU DIA.
26 de Fevereiro de 1942


Hoje, 26 de Fevereiro de 2016, não me sento na mesa
 mas, ela, está cá, em casa, com o rádio da época.


Foi nesta casa, Rua João Franco - Fundão [já não existe],
que comecei o percurso da minha vida.


MIGUEL TORDA

[Hoje, "roubei" a folha do Diário de MT com as palavras do dia/ano em que nasci]

Miguel Torga - Diário I I
Coimbra, 26 de Fevereiro de 1942 É escusado: não há, de facto, progresso moral. Eu arda, se este meu amigo, sob o ponto de vista do respeito que se deve ao semelhante como homem, não está exactamente ao nível do mais reles e sinistro habitante das cavernas !



quinta-feira, fevereiro 25, 2016

RCB - ESTRELA DA TARDE

A Paula Charro, na programação da RCB [Rádio Cova da Beira] t coordena a "Estrela da Tarde" - 14 ... 15 horas.
Convida uma pessoa, que escolhe os temas musicais, que no dia é a "Estrela da Tarde". 
Amanhã serei a "Estrela da Tarde" [a minha amiga Paula explicará as razões] e, para tal, seleccionei um "leque" de artistas.
Não vou divulgar as minhas escolhas. Terão que as escutar mas estou convencido que serão do vosso agrado. Para alguns uma boa recordação... para outros, os mais novos, uma novidade. Amanhã, sintonizei a RCB e o programa será conduzido, como sempre, pela Paula Charro. Bem Hajas pelo convite, Paula. Beijinhos.


POESIA de . . .

. . . de Florbela Espanca

A NOSSA CASA

A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!


Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?

Sonho . . . que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos, de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,

Num país de ilusão que nunca vi. . .
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim . . .

JOSÉ ALVES MONTEIRO

Passam hoje 126 anos sobre o nascimento de José Alves Monteiro, um dos mais ilustres fundanenses.
Formou-se em Direito, na Universidade de Coimbra, e regressou à sua terra natal onde exerceu advocacia.
Para além da actividade profissional, como cidadão activo, dedicou-se a diversas actividades de ordem associativa, cultural e política, assim como a pesquisas arqueológicas.
Nomeado Director da Polícia Judiciária, sempre que vinha de férias ao Fundão, continuava nas suas investigações, criando um bom espólio arqueológico e deixando vasta literatura nesta temática na área geográfica do Fundão.
Em 15 de Fevereiro de 2007, no remodelado Solar Falcão, na parte antiga da cidade, é inaugurado o Museu Arqueológico José Alves Monteiro que fica a perpetuar a sua memória e o seu trabalho em prol da arqueologia.


PASSEIO NA MATA DO BUÇACO

A  visita à Mata do Buçaco requer algum tempo. Pelo menos, são necessárias 2/3 horas para, com calma, termos uma boa visão daquele espaço.
Além do património histórico, há um património natural com uma riqueza ímpar.
Vale a pena passar algumas horas na Mata do Buçaco.

A residência real e o Hotel Palace 

Parede na entrada do Convento dos Frades Carmelitas Descalços.
Decoração com pedrinhas 
(construção iniciada em 1628).


Corredor do Convento onde, no tecto e nas portas, 
 predomina a cortiça


Capela do Convento de Santa Cruz do Buçaco


Via sacra



Residência dos Monges Carmelitas Descalços

LÍNGUA PORTUGUESA


novo acordo ortográfico
é um desacordo ou um erro ortográfico ?

MIGUEL TORGA

Miguel Torga - Diário XII
Coimbra, 25 de Fevereiro de 1976 - Como eu o compreendo! Aflito com este desmoronar da pátria, compra quantos livros lhe  testemunham a configuração passada. Guias dos seus monumentos e das suas estradas, crónicas, rifoneiros, monografias etnográficas, albuns de cerâmica e de mobiliário. 
É como quem recolhe os salvados de um naufrágio. Arruma Portugal na estante.

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

LEMBRANDO A ESCOLA INDUSTRIAL DO FUNDÃO

O meu contributo para lembrar os 50 anos do ensino público no Fundão [Escola Industrial do Fundão - Escolhi o título de "Passaram 47 anos . . . " pois o pedido para a elaboração do texto foi formulado em 2012].

No final do Verão de 1967, recebi, com enorme surpresa, o convite do Dr. Júlio Ferreira, Director da Escola Industrial do Fundão, para leccionar a disciplina de Educação Física.
Surpresa mas também um enorme desafio. Desafio pois a Escola não dispunha de equipamentos e instalações para a disciplina. A conversa com o Dr. Júlio foi interessante e motivadora. Interessante pelas razões apontadas aquando do convite e motivadora pela possibilidade de estimularmos os alunos para a prática de uma disciplina que, à partida, não dispunha de condições.

Recordo-me bem, das palavras que usei no primeiro dia de aulas, ao surpreender os alunos com a afirmação:
Temos o melhor ginásio para a Educação Física. O ginásio ao ar livre”.
A partir deste “ginásio”, foi possível fazer um pouco de tudo – corridas, futebol, atletismo (com os alunos construímos uma caixa, com areia, para o salto em altura e comprimento) e voleibol.
Decorridos 47 anos, recordo a experiência, muito gratificante, que vivemos durante o ano lectivo de 1967/68. O Dr. Júlio soube ser Director e incutir um verdadeiro espírito de grupo entre os docentes. Desde o primeiro momento senti o seu apoio o que permitiu consolidar uma boa amizade para o futuro. O espirito de grupo, criado, facilitou muitas das nossas iniciativas. Ao longo do ano realizaram-se várias competições desportivas e, em todas, os vencedores recebiam um prémio, um troféu. Num trabalho interdisciplinar, o docente da disciplina de Trabalhos Manuais concebia o modelo do prémio que, por sua vez, era executado pelos alunos e com o professor de desenho, eram concebidos os cartazes que promoviam e divulgavam a “competição”.
No momento da entrega dos prémios, sempre com a presença do Director, a Escola estava em festa.
Hoje, ao recordar alguns rostos dos “meus alunos” e conhecendo a sua carreira profissional, sinto algum orgulho pelo pequeno contributo dado nos primeiros passos da Escola Industrial do Fundão que teve uma função relevante na formação profissional na juventude fundanense da época.


FUNDÃO - A FACIF

FUNDÃO - A FACIF / 84 - I Feira Agrícola Comercial e Industrial - foi uma boa lufada de "ar fresco" no Fundão. 
Os empresários fundanenses nas áreas do Comércio, da Industria e uma parte da Agricultura responderam de uma forma positiva. Para além das Feiras tradicionais de Abril e de Outubro,o Fundão "lançou raízes" para a renovação das feiras locais e com os "olhos no futuro". Durante alguns anos a FACIF fazia parte da vida dos fundanenses e era aguardada com bastante interesse . . . mas, aos poucos, incompreensivelmente, foi perdendo algum "entusiasmo" . 
Sei que, nos dias de hoje, a vida comercial, industrial e agrícola mudou. Mudou mesmo muito mas não podemos ficar de braços cruzados. Temos de ter coragem para enfrentar os desafios do futuro e não embarcarmos em "modas" de curta duração. Pois, como diz o povo, "parar é morrer".

ANDEBOL & BANDA DESENHADA

Na décadas de 70 e 80 o andebol "viveu" momentos de grande expansão e de promoção. O autocolante foi um dos meios mais utilizados na promoção e divulgação da modalidade.
Como elemento de motivação, junto dos mais novos, as figuras da banda desenhada foram muito usadas para a captação de praticantes.
Quando presidimos à Direcção da Federação Portuguesa de Andebol, em Abril de 1985, organizamos o "Torneio Sport Goffy, em Andebol, para jovens dos 14 - 15 anos e escolhemos o Goffy para mascote da prova. O Torneio foi apresentado no Clube dos Empresários em Lisboa e, numa das fotos, o Goffy abraçou-me, assim como Manuel Manita o seleccionador nacional.



Alguns exemplos de autocolantes.










MIGUEL TORGA


Miguel Torga
 - Diário IV
Coimbra, 24 de Fevereiro de 1948 -Novamente me foi negado o passaporte para sair de Portugal. Prisioneiro! E vejam o absurdo dos zelos policiais! Eles a pensarem que me levavam sombrios propósitos de minar a ordem, e aqui como quem se confessa o que eu queria era ir ver os Velásquesz do Prado, e os Memlings de Bruges !

terça-feira, fevereiro 23, 2016

NO TOPO DO ESTÁDIO


À ATENÇÃO DOS RESPONSÁVEIS (Políticos e desportivos).

A minha geração teve a felicidade de viver o "tempo do futebol" de uma forma diferente do actual momento. Os tempos são outros. É verdade mas naquele tempo,para além do Clube ter outra dimensão, tivemos a oportunidade, sem os "exageros" do actual espectáculo desportivo, termos jogadores de elevada qualidade técnica. Sei que os métodos de treino e a evolução do jogo "mexeu" com o futebol mas no "meu tempo", havia jogadores que tratavam a bola "por tu". Era um prazer e uma alegria a forma como eles "mexiam na menina" [um destes dias recordarei esses jogadores que felizmente estavam em vários clubes]. 
Hoje, ao ler a notícia sobre o estado de saúde de Vicente tinha que o "apresentar" aos mais novos assim como lembrar o seu irmão Matateu. Dois jogadores moçambicanos mas que serviram o seu Belenenses e a selecção nacional de uma forma exemplar.
Vicente, jogava a médio. De uma classe impressionante, discreto e eficiente. A sua eficiente ficou te" ,para a história no jogo Portugal-Brasil, onde Vicente "secou completamente, na época, o fabuloso Pelé
No jogo parecia que Vicente não existia, tal era a sua elegância e desportivismo de jogar mas na "hora H" lá estava o pezinho do Vicente
Seu irmão, Matateu, jogador fora de série. Na grande área, num metro quadrado, "rodeado" por 2/3 jogadores, conseguia passar por eles sem perder a bola . . . e o seu remate, que saudades... Com uma potência e técnica invejável [anexo uma foto tirada na década de 50,tirada no Estádios Santos Pinto, na Covilhã. A foto revela o seu estilo. Único nos campos].
Neste post associo os irmãos pois ambos, que tanto deram ao futebol, as Instituições que lideram o panorama desportivo nunca olharam para estas figuras como um exemplo a sugerir aos mais novos. Matateu, em 77/78 foi obrigado a emigrar para o Canadá onde chegou a jogar com 50 anos de idade (é obra e, por lá, continuou a marcar "golões"). 
Seu irmão, Vicente, ficou por cá, "arrastando-se" na vida. Os últimos tempos não têm sido fáceis para Vicente. No meu tempo de estudante, cruzamos-nos várias vezes para os lados do Dafundo. Longas conversas sobre o futebol e as histórias que ele podia contar em conversas com os amigos. 
Quando será que os responsáveis políticos pela área do Desporto terão a ideia de, junto dos mais novos, promoverem o exemplo das grande figuras do desporto nacional?
A entrega de medalhas e distinções são importantes mas há um trabalho imenso, pedagógico e social, juntos dos mais novos - nas Escolas, nos Bairros, etc. - com a presença e participação destas figuras. É um excelente investimento e não são necessários muitos custos. Um bom trabalho para os mais novos e para estes ídolos. Na actual sociedade há uma tendência para esquecer os mais velhos e na área do desporto, os antigos atletas têm um lugar especial. Insubstituível.















POESIA DA BEIRA de . . .

. . . de Eugénio de Andrade

Urgentemente *
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir vertas palavras,
ódio, solidão, e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

* - in Até Amanhã - 1956


FOTOGRAFIA

FLOR PERDIDA ?


CITAÇÃO de . . .

de Agostinho da Silva

SÁBIO

"O mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor - eis todo o seu programa".

MIGUEL TORGA


Miguel Torga
 - Diário XVI
Coimbra, 23 de Fevereiro de 1992 - Fim oficial do festival bélico no Golfo. Por consenso de gregos e troianos, o mordomo-mor do conflito, o senhor do Iraque, vai ser poupado. Todos precisam dele para as negociatas futuras.


segunda-feira, fevereiro 22, 2016

FUNDÃO - TEMPO DA QUARESMA - CERIMÓNIAS

As cerimónias da Quaresma têm um longa tradição no Fundão e em outras terras do Concelho. Ontem realizou-se a Procissão dos Passos. Inicia-se na Capela da Misericórdia, percorre as ruas do Fundão onde estão colocados os "Passos" e termina na Capela do Calvário (Largo do Espírito Santo).

POESIA de . . .

. . . de FLORBELA ESPANCA 

AO VENTO

O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas ásperas de demente;
E esta minh´ alma trágica e doente
Não sabe se há-de rir ou chorar!

Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que rir de mim, sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amar,
A tua voz tortura toda a gente!. . .

Vale~te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim! . . . Ó vento, chora!

Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
E a gente andar a rir pla vida fora! ! . . .