sábado, abril 04, 2015

FUNDÃO - "O SENHOR FEITOR"

Tirado do baú.


Expresso, na edição de 9.Abril.1982, nas sugestões de Fim de Semana, publicou um artigo de Francisco Hipólito Raposo, com o título "A melhor quinta de Portugal".

O artigo sugeria uma visita à Cova da Beira, destacando a beleza da região, referindo "o afago maternal de Dona Estrela e o zeloso carinho da Tia Guardunha, pesadas matronas em desvelo do seu menino mimado, corre o Zêzere - que na despreocupada inocência das suas brincadeiras babosas caprichou em criar a mais fértil e fecunda quinta de Portugal: a Cova da Beira".... 
"Entre as duas grandes montanhas, aparece a Cova da Beira, revestida de enfeites por diversas culturas. Pinheiros viçosos, opulentos carvalhos, matas de castanheiros bravos, que orgulhosamente esperam o seu ano de corte, alternam com talões de vinha e pomar, com extensas várzeas de milho por onde circulam ribeiros claros, como veias abertas no solo, para gosto e prosperidade da gente" ...

Na parte final do artigo, o autor, remata ... "E lá está, sentado à secretária em alto estrado mas com os pés bem assentes no seu torrão, o velho e orgulhoso feitor daquela quinta, o senhor Fundão" ...  .

FOTOGRAFIA


O tanque da quinta . . .

AGOSTINHO DA SILVA

Pensamento . . . de Agostinho da Silva.

Como está actual

POLÍTICOS

"Os políticos, em lugar de se ajudarem entre si e uns aos outros nesta tarefa difícil que é administrarem um país, em que se tem ao mesmo tempo de olhar o presente com todo o cuidado objectivo e ter maior confiança no que se pode concretizar de futuro, em lugar de os políticos se se ajudarem uns aos outros, se auxiliarem, a realmente levar essa tarefa por diante, tantas vezes se entretêm , em todos os países, a lutar uns com os outros, a desacreditarem-se uns aos outros, como se isso pudesse fazer avançar seja o que for".


POESIA - CEREJEIRAS - CEREJAS

de Herculano Rebordão *

"OLHA, MARIA: A CEREJEIRA EM FLOR . . . "
(da ´fala´ de "uns Namorados")


Olha, Maria a cerejeira em flor,
mais feminina planta do pomar,
mais terna do que as outras no amor,
mais linda do que as outras para amar.
Eu a fitei, esta manhã, no alvor
do noivo sol que a vinha desposar,
e nela - enamorado lavrador -
a tua imagem vi transfigurar.
Não vês que tu, ao pé da cerejeira,
minha planta de carne, és a primeira
no gosto e na paixão do meu sentido!
Em breve a cerejeira tem cerejas:
façamos nós, Maria, se o desejas,
a nossa boda no pomar florido.

- natural do Souto da Casa (Fundão)

MIGUEL TORGA

Miguel Torga - Diário X
Coimbra, 4 de Abril de 1966
CHICOTE

Arre, burro madraço !
Qual carga ! Qual cansaço !
Chouta ! Chouta, com forças ou sem elas.
Firme nessas canelas
Até onde o exija a própria vida.
Que fique bem cumprida
A penitência
Que nenhuma sensata resistência
Torne mais absurda a caminhada,
Curva inútil, traçada
De negrura a negrura:
O ventre e a sepultura.

quinta-feira, abril 02, 2015

"GREVE" COM HUMOR


Amanhã, dia 3 de Abril, sexta-feira santa, é feriado. 
Não é pelo feriado mas vou entrar na onda (que está na moda) das "greves
e , por isso, faço greve. 
Não apareço por aqui.

A PÁSCOA DO FUNDÃO DO NOSSO TEMPO

Hoje, lembro o post que publiquei em Abril de 2011, em plena Semana da Páscoa.

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"O meu amigo Fernando Paulouro, Director do Jornal do Fundão no editorial A SEMANA, na semana da Páscoa, lembra a Páscoa no Fundão do nosso tempo. O Fernando recorda como as casas eram "um brinquinho com perfumes de alfazema e flores silvestres, para o Senhor Cristo no domingo entrar nelas como num paraíso, à medida de cada um" e recorda como "O homem com a caldeirinha e o outro com a campainha, dalim-dalim, de solenes opas vermelhas" acompanhavam o Padre que visitava as casas .
Para além da tradição, da visita pascal, que há muito tempo não se realiza no Fundão, o Fernando não se esqueceu de trazer a azáfama das "mulheres com tabuleiros repletos de bolos da Páscoa, à cabeça, quentinhos, vindos do forno, deixando atrás de si fragrâncias inesquecíveis".

Ao trazer o bolo de azeite [uma especialidade do Fundão] à nossa lembrança, o Fernando homenageou a "Menina Amélia (Ana Amélia, de seu nome) que mantém vivo o ´milagre`da senhora D. Maria Joaquina dos Bolos, que levou longe o nome do Fundão".

Menina Amélia, com os seus maravilhosos 78 anos, continua a fazer o bolo de azeite da Maria Joaquina dos Bolos, assim como os outros bolos da Maria Joaquina - as cavacas, os biscoitos, os bolos de amêndoa, os sodas, os esquecidos e o bolo doce.
Sou um "doido" pelo bolo de azeite da Maria Joaquina dos Bolos. No Fundão há muita gente a fabricar o bolo de azeite e de muita qualidade mas temos que reconhecer que o bolo da Maria Joaquina tem um sabor diferente. Uns dizem que é das ervinhas, outros defendem que é do jeito da Menina Amélia . . . mas o que posso garantir é que este bolo, acompanhado com queijo, com manteiga ou mesmo com as compotas dos "Sabores da Gardunha" [outra maravilha da nossa região], é de comer e chorar por mais.

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Espero que a Menina Amélia, por muitos e muitos anos, continue com o "milagre" da Maria Joaquina dos Bolos.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA


Passam hoje 39 anos sobre a aprovação da Constituição da República Portuguesa [CRP] pela Assembleia Constituinte.

Após a aprovação, a CRP foi revista 7 vezes
Perante as mudanças verificadas a nível internacional, no seio da União Europeia e na sociedade portuguesa, não chegou a hora de ser feita uma revisão que defenda Portugal e os portugueses e que não seja feita ao sabor do equilíbrio entre os diferentes interesses político-partidários ?


POESIA - CEREJEIRAS - CEREJAS

de António Salvado

A cerejeira

Da flor aos frutos - a celebração:
a frágil floração anunciando
que na pureza se colora o sangue~
que no altar da terra é devoção.

Surgiu como a beleza - nos confins
do tempo em que nasceu a primavera:
por isso nela nunca o branco finda
porque o vermelho nele se conserva.

Seus ramos de manhãs tão generosos
dobram-se ao peso da prosperidade,
e felizes nas dádivas dobradas
aguardam bocas ávidas donosas.

Renega a dor, a deusa da alegrai!
Mitiga sede o leite dos seus seios!
Senhora humilde vigilante dizem
que protege a fartura das colheitas

PROVÉRBIOS POPULARES - MÊS DE ABRIL

Abril chove para os homens e Maio para as bestas.

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Abril chuvoso, Maio ventoso
 e Junho amoroso fazem o ano formoso.

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Abril frio, ano de pão e vinho.

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Abril frio e molhado enche o celeiro e farta o gado.

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Abril vai a velha aonde há-de ir e a tua casa vem dormir

MIGUEL TORGA



Miguel Torga - Diário  XVI
Coimbra, 2 de Abril de 1991 - Ainda fui capaz de ter hoje vinte anos na imaginação.

quarta-feira, abril 01, 2015

AGORA NA SIC N

Na SIC Notícias, no debate que decorre, acabo de ouvir António José Teixeira, director da SIC N, afirmar:
"O PS é fraco" . . . "o PS não tem agenda própria" e teceu considerações nada favoráveis a António Costa.
Nem quero acreditar no que estou a ouvir.

É ANTÓNIO COSTA QUE O AFIRMA.

É interessante que o PS só agora tenha reparado na "estupidez" dos "debates quinzenais", quando o "pai" da ideia foi o próprio PS. Curioso é que o PS ainda não tenha corrigido as intervenções do líder parlamentar, Ferro Rodrigues, que não tem ajudado nada para acabar com a "estupidez".

Antonio Costa diz que os debates quinzenais com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho são uma das «ideias mais estúpidas de que há memoria».
TSF.PT|DE GLOBAL MEDIA GROUP

LISBOA

Ontem, na Baixa lisboeta, já se "sentia" o cheiro de férias de turistas da Páscoa.


HÁ SAPATOS & SAPATOS

Ontem, no Metro, uma jovem (cerca de 18 anos) dava nas vistas. 
Com um "ar de boneca", redondinha, saia curta (larga), sendo bem visível uma tatuagem na coxa direita e, sensivelmente, com 1.40 metro. 
No entanto, já em circulação, parecia mais alta . . . altura "reforçada" por um salto alto que devia andar pelos 15 cm (pelo menos).


A ESCOLINHA

Na Escola do meu neto, mais novo, Vicente (3 anos), festejaram a Primavera e prepararam-se para a Páscoa.


BOLO DE AZEITE DO FUNDÃO

O tempo da Páscoa também é um tempo para as guloseimas e a doçaria. Todas as terras têm os seus doces e no Fundão o "rei" da doçaria é o bolo de azeite.


Nas mesas do Fundão, na Páscoa, a presença do bolo de azeite é obrigatória. O bolo come-se com manteiga ou barra-se com doce; acompanha o queijo e sabe muito bem com um chouriço assado. 
bolo de azeite do Fundão já ultrapassou as "fronteiras" da terra e no período da Páscoa é muito procurado. Por isso, os fornos não têm "mãos a medir" para cozer o bolo da festa.
Desconhece-se a "data de nascimento" do bolo mas a minha geração identifica-se com  Maria Joaquina Martins, conhecida como a D. Maria Joaquina dos bolos, a grande "expert" do bolo de azeite do Fundão e da doçaria.


Nos tempos de hoje, a D. Amélia, "aluna da D. Maria Joaquina dos bolos" mantém a tradição da feitura dos bolos de azeite. Com mestria e muito amor, a D. Amélia vai tendendo a massa.  Há sempre mais uma "voltinha" a dar na massa polvilhando com farinha.


Quando perguntávamos, "a massa já está pronta?",  D. Amélia esclarecia:
"Ainda não. Estou com uma dor no braço direito mas tenho que dar mais uma volta". Pacientemente, apesar da dor, a massa ia sendo "massajada". Da forma como  D. Amélia tratava a massa percebi que os gestos eram feitos com amor. A massa tinha que sentir os afectos da D. Amélia.
Pensava que o trabalho tinha terminado, D. Amélia deu mais um "achego" na massa antes de colocar as mantas para a massa não arrefecer. 
"Quanto tempo vai estar a massa aí?".
"Não há tempo. A massa é que decide", esclareceu D. Amélia. "Vamos esperar até estar em condições de ir para o forno".


Perante a pergunta da praxe, "Como é a receita?", D. Amélia forneceu os ingredientes para a fornada: "15 kg de farinha, ovos, azeite, água, fermento e erva doce".
"Quantos ovos?", perguntamos. 
"Isso não digo". Percebemos que o segredo está na quantidade dos ovos. Talvez aqui resida  a qualidade dos bolos da Maria Joaquina dos bolos. No Fundão há muita gente a confeccionar o bolo de azeite, mas os da Maria Joaquina dos bolos são diferentes. Tive a felicidade de conhecer a D. Maria Joaquina. Uma mestra na doçaria. Para além do bolo de azeite deixou a técnica dos biscoitos, das cavacas, dos sodas, do bolo de nozes, etc.


Depois de preparada a massa, os bolos vão para o forno e estão lá cerca de 45 a 60 minutos. "O tempo necessário para ficarem bons", disse a D. Amélia.

Com esta informação percebemos que a componente comercial "não mora neste forno". Por isso é que os bolos de azeite do Fundão são bons. "São os melhores do mundo"


Apesar do bolo de azeite ser obrigatório na gastronomia da Páscoa, todas as semanas há o bolo de azeite. Quando passar pelo Fundão não se esqueça de comprar o bolo de azeite e um queijo e acompanhe com uma caneca de café com leite ou um copo de tinto.
Hum . . . hum . .

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Nota - No ano passado, no dia da cidade [9 de Junho], a Câmara do Fundão distinguiu a "Maria Joaquina dos Bolos" com a medalha de mérito.

D. Maria Joaquina Martins, cujo verdadeiro nome era Catarina Martins.
Como as pessoa, há mais de 100 anos, a chamavam por Catrinaresolveu mudar para Maria Joaquina Martins, a quem os fundanenses deram o título de Maria Joaquina dos Bolos."


OVOS DA PÁSCOA

Símbolo da opulência clássica europeia, a casa Fabergé da Rússia Imperial , entre 1885 e 1917, concebeu os "ovos de Fabergé" como objectos de devoção religiosa. Hoje são verdadeiras peças de arte, onde se destacam a A Ressurreição e o Renascimento, oferecidos pelo czar Alexandre III à imperatriz Maria Fedorovna, na Páscoa de 1884.


Em Portugal não há a tradição dos "ovos da Páscoa", mas nos últimos tempos os "ovos de chocolate" começaram a fazer parte das iguarias da época.

No entanto, há países, como em certas regiões da França, onde os ovos de chocolate são escondidos no jardim de casa, levando os mais novos à "pesquisa" do ovo.

Na Áustria, um pouco na tradição de Fabergé, os ovos são decorados com os mais variados temas. Na semana da Páscoa, nas diferentes Praças de Viena, montam-se tendas com centenas de ovos pintados. Alguns são verdadeiras obras de arte.

Na minha última passagem por Viena (foi difícil a escolha) adquiri uma pequena colecção de "ovos". Hoje publico alguns, que mais gosto 
[Apresento as minhas desculpas pela falta de qualidade técnica do fotografo].



Mozart 

Cristo


NÃO... NÃO É MENTIRA DO 1 DE ABRIL

Não. . . não, não é nenhuma "mentira" do 1 de Abril.

Esta opinião política tem "4 anos de vida" e lembro-a para não entrar no esquecimento . . . inclusive de quem a proferiu.

Freitas do Amaral, antigo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros do primeiro Governo de José Sócrates, em entrevista à RTP 1, no dia 18 de Abril de 2011, culpou o primeiro-ministro Sócrates pela situação financeira do País e acusou-o de viver num "mundo irreal".

"O ministro das Finanças tinha toda a razão. Aos 7% era necessário a ajuda externa, mas deixou-se chegar aos, 9, aos 8 e 10. Tenho de concluir que foi o primeiro-ministro que não deixou, porque, de repente, começou a viver num mundo irreal, e Teixeira dos Santos, por solidariedade ou amizade, submeteu-se", afirmou Freitas do Amaral .

Decorridos 4 anos, ao recordarmos a actividade sinusoidal de certos políticos, leva-nos a pensar:
- "Andam a brincar com os portugueses e a democracia"



POESIA - CEREJEIRAS

de Luís Filipe Maçarico
Fundão

A voz é branca
é alvo o dia

e por todo o lado
o grito claro
das cerejeiras
entrega ao vento
a mais limpa
melodia . . .

DIA DAS MENTIRAS

Hoje é o DIA DAS MENTIRAS.

Para manter a tradição, pensei em colocar uma mentira . . . mas perante a mentira que ía deixar, ocorreu-me a seguinte dúvida:

- E se ela se transformar em verdade?

Abandonei a ideia e falho a tradição.

PROVÉRBIOS POPULARES - MÊS DE ABRIL

Abril, águas mil.

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Abril, águas mil; ainda a velha queima o carro e o carril 
e do que lhe sobrar em Maio o há-de queimar.

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Abril, águas mil coadas por um mandil.

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Abril, águas mil ou coadas por um funil.

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Abril, cheio o covil.

MIGUEL TORGA



Miguel Torga - Diário  IX
S. Martinho de Anta, 1 de Abril de 1961 - Este ano, talvez por ironia, Cristo ressuscitou no dia de enganos . . .

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Diário - XIV
S. Martinho de Anta, 1 de Abril de 1983 - Já não sei com que ombros hei-de aguentar o peso da vida. Mas não posso fraquejar. Foi para ser capaz de dar tudo por tudo em horas como esta que vim ao mundo. Na maior desesperação, responder com palavras e actos de esperança à voz do sangue em pânico.