quinta-feira, março 06, 2014

UMA BOA EXPERIÊNCIA NA VIDA ASSOCIATIVA


A nossa passagem pela Direcção dos Caminheiros da Gardunha [2006 - 2011] foi das melhores experiências que tive na vida associativa. Os CG tinham um leque de eventos [Caminhada semanal, Encontro Nacional, Arraial Popular da Noite de S. João, Corso do "Carnaval no Fundão" e colóquios]- com objectivos diferenciados, embora com o denominador comum - o convívio.
Para além do convívio de pessoas de diferentes terras, houve sempre a preocupação de associar a divulgação e a promoção da nossa terra e da Serra da Gardunha.



Os Encontros Nacionais eram um ponto de encontro de caminheiros de diferentes localidades e o VII Encontro  Nacional de Caminheiros - "Na Rota da Cereja" -  [2009] reuniu 1300 caminheiros,  numa percurso de 12 Km. 
Início no Largo dos Caminheiros  (onde está sediada a Colectividade) com termino na floresta de Alcongosta (Casa do Guarda). Um evento desta natureza implica uma certa logística. A  recepção, apoio aos caminheiros, a segurança, reforço alimentar, a refeição, o convívio e os transportes.
Para além da beleza do percurso pela Gardunha, em plena época das cerejas, montou-se uma "feirinha" com os bons produtos da região - cerejas, queijos, vinhos, enchidos, doces e compotas. A organização teve a preocupação de associar a beleza da Gardunha aos produtos locais. A resposta dos produtores foi positiva e a nossa terra foi promovida. Na sua beleza e nos bons produtos

Bem cedo, antes da chegada dos caminheiros, a preparação do apoio - água e reforço alimentar

9 horas, em ponto. A partida . . .


Contacto com as cerejeiras
Quase, quase a chegar lá ao alto

Lá em cima, no alto, a beleza da Cova da Beira,  . . .
. . . e uns segundos, olhando para a paisagem, eram um tónico recuperador do esforço



Após a refeição o convívio




A "Feirinha" com os produtos regionais

Compotas
Cerejas
Enchidos
Queijos
Vinhos
Doces/bolos
Para o regresso .

FRASES DA HISTÓRIA DE PORTUGAL

"Ouvi uma voz que me disse que me levantasse e fosse dar vistos a todos os que precisassem" - [1940 - Aristides de Sousa Mendes, cônsul português em Bordéus no início da segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha invadiu a França]

A frase foi ditada pelo filho, Pedro de Sousa Mendes, à historiadora Margarida de Magalhães Ramalho, segundo carta da própria, publicada no Expresso (9 - 07 - 2005).
Aristides de Sousa Mendes (1885 - 1954) desafiou as ordens emanadas de Lisboa, passando milhares de vistos a judeus, salvando a vida, pelo menos, a 10 mil judeus que vieram para Portugal.
Aristides Sousa Mendes foi demitido da carreira diplomática, humilhado e perseguido pelo regime, morreu na miséria. Em 1987 o Presidente da República Portuguesa condecorou-o com a Ordem da Liberdade, a título póstumo.

Aristides Sousa Mendes faz parte da galeria dos heróis do Yad Vashem, o Jardim dos Justos, em Jerusalém, que ajudaram os os judeus durante o Holocausto.

Estive lá e, para tirar esta foto, coloquei a bandeira portuguesa

PROVÉRBIOS DA COVA DA BEIRA

Provérbio do dia 6 de Março.

A franqueza e a lealdade
mais que qualidades são virtudes.

DIÁRIO de MIGUEL TORGA


Miguel Torga - Diário  I I

Coimbra, 6 de Março de 1943 -  Há momentos nestes primeiros ensaios da primavera em que a revelação dos íntimos segredos da vida parece estar por um tris. Ou porque um pássaro acabou por encontrara sítio para fazer o ninho, ou porque uma flor conseguiu desabrochar, ou por qualquer outra razão que se não vê, as árvores param de mexer, as aves param de cantar, as águas param de correr, e um grande silêncio de expectativa paira no ambiente. A natureza dá a impressão de que vai comungar.
Mas o segundos passam, a tensão exaspera-se, começa a bulir uma folha, a trinar um melro, a murmurar uma fonte, e nada acontece

quarta-feira, março 05, 2014

A COSTA PORTUGUESA

Os portugueses não estavam "habituados" a que o mar estragasse as "suas praias" mas, este ano, desde o temporal da madrugada do dia de Reis Magos e os sucessivos temporais que têm "castigado" a nossa costa, têm olhado para a mãe natureza com outros olhos. As "coisas" estão a mudar e de que maneira . . .
Nesta mudança, com alguma curiosidade, tenho escutado as opiniões de diferentes autarcas. Cada um defende a sua "quinta", perdão, a sua praia, ignorando que o problema já não é da praia A ou B, ou de repor, com muitos euros, o areal. O problema é mais vasto e a "mãe natureza" quando se "zanga", porque lhe fazem mal. . . zanga-se. O que me surpreende é que, a nível internacional (e já se nota em Portugal), os poderosos pretendem ignorar os sinais (revolta) que a natureza está a lançar. 
Até quando ? 
Depois não se queixem e os autarcas portugueses devem passar a pensar no território nacional e não só, no seu "quintal".
NOTA - E os erros urbanísticos que foram cometidos na costa portuguesa, como é ?

FÉRIAS DA NEVE

Regressado de umas mini-férias na neve mas o malandro do S. Pedro, que esta manhã enviou um sol primaveril para a região, em tempo de "carnavalar" não facilitou o passeio na Serra da Estrela. 
Na 2ª. Feira tivemos que "fugir" da pista dos piornos. Ontem deu uma trégua mas com um friozinho . . .

SERRA DA ESTRELA

Serra da Estrela -  Carnaval 2014




A "LATA" DE CERTOS POLÍTICOS

No dia 10 de Março de 2011, os noticiários da hora de almoço, na RTP; SIC e TVI, abriram com a "divida pública".

As taxas de juros atingiram valores elevados.
- A 5 anos, com o valor de 7.8%
- A 10 anos com o valor de 7.7%

Decorridos 3 anos, os políticos da governação socialistas, que contribuíram para estes valores tão elevados, são eles que, agora, criticam e se lamentam da taxa de juro - após ter sido percorrido o caminho  deixado  por eles - , andam a queixar-se da actual taxa estar em 5%
Dá vontade de dizer:
- É preciso ter lata.

A PROCISSÃO

Com a Quaresma, as nossas aldeias têm as suas festas e a procissão faz parte integrante da actividade popular. Ao trazermos (parte) deste bonito poema, é a homenagem que prestamos aos festeiros deste país que conseguem manter, em pé, as nossas tradições.

A PROCISSÃO *

Tocam os sinos da torre da igreja
Há rosmaninhos e alecrim pelo chão
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão
. . . . .


. . . . .

Na nossa aldeia que Deus a proteja
Já passou a procissão.

* - Letra - António Lopes Ribeiro
    - Interprete - João Villaret

PARA REFLEXÃO EM TEMPO DE QUARESMA

Entrámos no tempo da Quaresma. Tempo de reflexão. 
Para essa reflexão, recordo o que Mário Soares, em 19 - Março - 2011 (tempo da governação - 2005/2011 - de José Sócrates), escreveu:

« « « « «       » » » » » 

Mário Soares, no habitual artigo das 4ªs. Feiras, no Diário de Notícias.

[...] Compreendemos que não é só a juventude que está à rasca - a palavra pegou -, é o País, no seu conjunto, que está à rasca!
Há que ter consciência da situação em que estamos - sobretudo o Governo, os Partidos e os movimentos cívicos democráticos - e agir, rapidamente, em conformidade.
Antes que seja tarde [...]".

« « « « «     » » » » »

Mário Soares, perante os seus últimas "críticas/escritos/queixas" não se lembrará do que escreveu em Março - 2011?  Só passaram  3 anos .

PROVÉRBIOS DA COVA DA BEIRA.

Provérbio do dia 5 de Fevereiro.

A fortuna é cega.

DIÁRIO de MIGUEL TORGA

Miguel Torga - Diário VI
Coimbra, 5 de Março de 1951 - Reedições melhoradas de alguns livros meus, mas nos primeiros é que não sei por onde lhes pegar. São monstros sem conserto. Lembram-me as cicatrizes que nos ficam das aventuras da meninice.
Pedradas que não soubemos evitar e vão connosco para a sepultura.

terça-feira, março 04, 2014

NÃO, NÃO É NENHUM FIGURANTE NO CARNAVAL

Não, não é nenhum figurante do Carnaval de Torres Vedras.
É uma foto do Coronel (?) Kadafi, ex- Presidente da Líbia que no seu tempo pisava os salões dos grande políticos europeus e era recebido com pompa e circunstância.



A BANDA

Uma Banda quando toca . . .. . . toca mesmo.
Mas quando é preciso descansar . . . descansa mesmo.




DIÁRIO de MIGUEL TORGA

Miguel Torga - Diário VI
Coimbra, 4 de Março de 1953

O CISNE

O cisne deu três voltas no seu lago,
Engomava o silêncio liquefeito . . .
A curva do pescoço, sobre o peito,
Tinha a doçura branca dum afago
De mão que desconserta a simetria . . .

Contam que Zeus, um dia,
Num desejo de amante insatisfeito,
Se vestiu a ilusão daquelas penas . . .
Quem me diz que a divina fantasia
Não encontrou a porta de saída,
E o cisne que ali passeia a vida
É um Júpiter de Atenas ! . . .

segunda-feira, março 03, 2014

PROVÉRBIOS POPULARES - mês de Março



Março virado de rabo é pior que o diabo.

« « « « «     » » » » »

Março, queima a dama do paço.

« « « « «     » » » » »

Março marcheia, de manhã arreganha o pastor,
à tarde desenxameia a colmeia.

« « « « «     » » » » »

Março, marçagão, de manhã sol de Verão,
de tarde cara de Verão

FERROADAS

de Brito Camacho

"Entre viuvas, á saida da missa:
- O seu marido de que morreu ?
- Disse o médico que foi da gôta.
- Pois o meu foi quasi da mesma coisa.
- De que morreu então ?
- Disse o médico que foi . . . da pinga.

PROVÉRBIOS da COVA da BEIRA

Provérbio do dia 3 de Março.

A fome é inimiga da virtude.

DIÁRIO de MIGUEL TORGA

Miguel Torga - Diário VI
Coimbra, 3 de Março de 1953 - Quase que não durmo. Passo noites inteiras a ouvir o silêncio e a ver a escuridão. Uma espécie de sepultamento antecipado, com todos os inconvenientes da vida e sem as vantagens da morte.
Quem não tem um rosário de insónias à cabeceira, mal pode compreender a angústia destes velórios intermináveis ao nada, eternidades saboreada em fatias, porque ainda resta a esperança do amanhecer . . .

domingo, março 02, 2014

FERROADAS de . . .

de Brito Camacho

O sr. Anacleto Mexia conta a morte da sogra.
- E conservou as faculdades até ao fim ?
- Até á ultima! Dois minutos antes de expirar, atirou-me á cara uma cataplasma.

PROVÉRBIOS POPULARES - mês de Março [2]



Março  mal quando molha o rabo ao gato, 
se de Fevereiro ficou farto.

* * * * *

Março marçagão, cura meadas, esteiras não.

* * * * *

Março   marçagão (marcegão), de (pela) manhã cara de cão, 
à tarde cara de rainha e à noite cavar com a foicinha.

POESIA DAS BEIRAS

de Herculano Rebordão *

SOROR CLARA DA GARDUNHA

A minha aldeia, nos degraus do monte,
Tem a cor dum burel de franciscano;
A sombra do olival cinge-lhe a fronte
Contemplativa de ermitão serrano.

Irmã do Alverne, tem por horizonte
Um céu de misticismo todo o ano;
Parece um monge, mal que o sol desponte,
Rezando um breviário lusitano.

Ó Francisco de Assis, a Santa Clara
Ficou na minha aldeia e lá prepara
Laudes à vida e ao senhor da Serra!

Clara, mais clara que as manhãs de sol!
Também recorda, ouvindo-a, o rouxinol!
Que tu mandaste a missionar a Terra.

* - Natural do Souto da Casa (Fundão)

PROVÉRBIOS da COVA da BEIRA

Provérbio do dia 2 de Março.

A força dos tiranos está
na paciência dos povos!

DIÁRIO de MIGUEL TORGA

Miguel Torga - Diário XIV
Coimbra, 2 de Março de 1986 - Viver. Não há outra saída airosa. Viver até ao limite das forças, dando a cada célula em pânico a ilusão da esperança. Existir é um jogo. Alguns ganhamfrequentemente, e são felizes. Outros perdem sistemáticamente, e são infelizes. Mas, a ganhar ou a perder, nenhum bem se compara ao de acordar de manhã e aninhar nos olhos a paisagem do mundo. mesmo todo em ferida. Mesmo desenganado. Por isso, teimar. Resistir de corpo e alma até onde o coração der. Que a nossa morte seja uma vilania sofrida, e não uma cobardia cometida.

sábado, março 01, 2014

"DIABO DA CRISE"

CRISE . . . CRISE . . . é uma das palavras que mais se houve. 

Por vezes, ou escutarmos certos políticos, sindicalistas, analistas e comentadores, ficamos com a ideia que a CRISE tem "dois dias".

No Corso do Carnaval - 2009, no Fundão, um espontâneo, mascarado de mafarrico, afirmava:
"DIABO DA CRISE".
Em 2009, o diabo já sentia a crise

PERGUNTAR NÃO OFENDE

Esta de dizerem que "milícias populares" ocuparam certas Instituições na Crimeia (Ucrânia), faz parte dos "mascarados" do Carnaval ou é um sinal da velha "doutrina soviética" ?
É que para "milícias populares", mesmo na quadra carnavalesca, a rapaziada está muito bem equipada e com viaturas militares a cortarem as estradas.

POESIA

de Herculano Rebordão *

"CEIFAM OS POBRES AQUILO..."
(da ´fala´ do "Revoltado")

- Ceifam os pobres aquilo
que os outros hão-de comer.
Ó vida toda mentira
feita de ser e não ser!

* - Natural do Souto da Casa Fundão)

PROVÉRBIOS POPULARES - mês de Março [1]



Março amoroso, Abril chuvoso, Maio ventoso, 
São João calmoso fazem o ano formoso.

* * * * *

Março duvidoso, São João farinhoso.

* * * * *

Março liga a noite com o dia, 
(o) Manuel com a Maria, 
o pão com o mato 
e a erva com o sargaço.

PARA RECORDAR - CARNAVAL NO FUNDÃO [6]

Carnaval no Fundão 

2008

A animação sempre presente . . .


A "bota" (Papa-Léguas), 
símbolo dos Caminheiros da Gardunha, a abrir o corso


O "Bispo" e o carro da "Santa Miseridiscórdia
mereceu fortes aplausos do público


A "Orquestra da Câmara" chamou a atenção para  a necessidade de 
"afinar" pró Concerto de 2009.


Os espontâneos tiveram, sempre, um papel  importante 
no enriquecimento do Corso


PROVÉRBIOS da COVA DA BEIRA

Provérbio do dia 1 de Março.

Em Março
tanto durmo como o faço.

DIÁRIO DE MIGUEL TORGA

Miguel Torga - Diário XIV
Coimbra, 1 de Março de 1984

ARTE POÉTICA

Fecho os olhos e avanço.
começa o poema.
Rodeiam-me os fantasmas
Fugidios
Dos versos que persigo.
A regra é caminhar
E chegar sem saber.
A encruzilhada
Onde o milagre pode acontecer.

Mas sendo, como é, de cabra-cega
O jogo,
E é um destino jogá-lo,
É sempre incerto que o principio.
Tacteio no vazio
Da expressão,
Vou seguindo,Seguindo
E ganho quando sinto a salvação
No próprio gosto de me ir iludindo.