À ATENÇÃO DOS RESPONSÁVEIS (Políticos e desportivos).
A minha geração teve a felicidade de viver o "tempo do futebol" de uma forma diferente do actual momento. Os tempos são outros. É verdade mas naquele tempo,para além do Clube ter outra dimensão, tivemos a oportunidade, sem os "exageros" do actual espectáculo desportivo, termos jogadores de elevada qualidade técnica. Sei que os métodos de treino e a evolução do jogo "mexeu" com o futebol mas no "meu tempo", havia jogadores que tratavam a bola "por tu". Era um prazer e uma alegria a forma como eles "mexiam na menina" [um destes dias recordarei esses jogadores que felizmente estavam em vários clubes].
Hoje, ao ler a notícia sobre o estado de saúde de Vicente tinha que o "apresentar" aos mais novos assim como lembrar o seu irmão Matateu. Dois jogadores moçambicanos mas que serviram o seu Belenenses e a selecção nacional de uma forma exemplar.
Vicente, jogava a médio. De uma classe impressionante, discreto e eficiente. A sua eficiente ficou te" ,para a história no jogo Portugal-Brasil, onde Vicente "secou completamente, na época, o fabuloso Pelé.
No jogo parecia que Vicente não existia, tal era a sua elegância e desportivismo de jogar mas na "hora H" lá estava o pezinho do Vicente.
Seu irmão, Matateu, jogador fora de série. Na grande área, num metro quadrado, "rodeado" por 2/3 jogadores, conseguia passar por eles sem perder a bola . . . e o seu remate, que saudades... Com uma potência e técnica invejável [anexo uma foto tirada na década de 50,tirada no Estádios Santos Pinto, na Covilhã. A foto revela o seu estilo. Único nos campos].
Neste post associo os irmãos pois ambos, que tanto deram ao futebol, as Instituições que lideram o panorama desportivo nunca olharam para estas figuras como um exemplo a sugerir aos mais novos. Matateu, em 77/78 foi obrigado a emigrar para o Canadá onde chegou a jogar com 50 anos de idade (é obra e, por lá, continuou a marcar "golões").
Seu irmão, Vicente, ficou por cá, "arrastando-se" na vida. Os últimos tempos não têm sido fáceis para Vicente. No meu tempo de estudante, cruzamos-nos várias vezes para os lados do Dafundo. Longas conversas sobre o futebol e as histórias que ele podia contar em conversas com os amigos.
Quando será que os responsáveis políticos pela área do Desporto terão a ideia de, junto dos mais novos, promoverem o exemplo das grande figuras do desporto nacional?
A entrega de medalhas e distinções são importantes mas há um trabalho imenso, pedagógico e social, juntos dos mais novos - nas Escolas, nos Bairros, etc. - com a presença e participação destas figuras. É um excelente investimento e não são necessários muitos custos. Um bom trabalho para os mais novos e para estes ídolos. Na actual sociedade há uma tendência para esquecer os mais velhos e na área do desporto, os antigos atletas têm um lugar especial. Insubstituível.



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