Miguel Torga - Diário IV
Coimbra, 30 de Março de 1949 - Desculpe, mas sou contra os álbuns. Comove-me a imbecilidade deles, mas é um frémito epidérmico, passageiro, de quem toca na grinalda melada de uma senhora que não conheceu. Leia o que aí está escrito ... Não lhe parece água de malvas? São todos ilustres, esses homens que assinam. O que é, como não tinham que dizer, babaram o papel com a secreção do umbigo. É enternecedor, mas não posso.
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Diário VII
Coimbra, 30 de Março de 1949 - Desculpe, mas sou contra os álbuns. Comove-me a imbecilidade deles, mas é um frémito epidérmico, passageiro, de quem toca na grinalda melada de uma senhora que não conheceu. Leia o que aí está escrito ... Não lhe parece água de malvas? São todos ilustres, esses homens que assinam. O que é, como não tinham que dizer, babaram o papel com a secreção do umbigo. É enternecedor, mas não posso.
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Coimbra, 30 de Março de 1955
TRANSE
Nem tudo é lei da vida ou lei da morte.
Há limbos onde o homem desconhece
Esse dilema hostil.
E quando ama, ou sonha, ou faz poemas,
E a própria natureza o não domina.
Então, livre e perfeito,
Paira no tempo como o pó suspenso.
Nem do céu, nem da terra, nem sujeito
Ao pesadelo de nenhum consenso.
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