quinta-feira, fevereiro 26, 2015

POESIA DA BEIRA

de Pad´Paula

CASTANHAS DA GARDUNHA *

Ai Fundão - Cova da Beira -
Lá por fora é voz corrente
Que há em ti água a fartar . . .
Mas . . . se a gente abre a torneira,
Por mais que espere, só sente
Que a torneira deita at.

Ai, burgo tão decantado,
Por tanto "café" servido,
De tanta "pensão"repleto !
mas . . . o hotel projectado,
Parece que anda esquecido.

Ai terra maravilhosa,
Pomar florido da Bera,
Onde a fruta nos namora.
Mas  . . . a fruta gostosa,
Ninguém a vê, nem a cheira,
Porque toda vai p´ra fora. . .

Ai vila no meio das serras,
Com cinco fontes no meio
E quintas ao derredor;
Asr uas das outras terras
Têem muito . . . mais aceio
E muito . . .menos fedor.

Ai sítio de nome antigo,
Jardim ´scondido nas serras,
Vaidosas de o ter no meio;
Apesar do que atrás digo,
És a mais bela das terras
Que a Beira tem no seu seio.

E eu assim deste geito,
Sem ter receio de querelas,
Se maldosas atitudes,
Em verso embora mal feito,
Hei-de apontar-te as mazelas,
Hei-de exaltar-te as virtudes.

* - Publicado no Jornal do Fundão (Nº. 1), em 27 de Janeiro de 1946.

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