Miguel Torga - Diário VI
Coimbra, 18 de Fevereiro de 1953
PRESENÇA
Já na terra da morte me antevejo,
Horizontal eterna aos pés da vertical
Que consegui manter durante a vida.
Já sem traços humanos me adivinho
No espelho da lembrança de quem fica.
Já sem nenhum calor sinto os meus versos
Nas selectas que ensinam lentamente
A odiar os poetas.
Mas à tona do mundo, nesta hora,
Desenhado nos olhos de quem amo
E a arrancar os poemas do tutano,
Ou sou deus, ou me engano !
Orçamento em modo de Parédon
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