sábado, janeiro 24, 2015

"NA SEMANA DE EUGÉNIO DE ANDRADE" - [ 8 ]

No passado dia 19 de Janeiro, passaram 92 anos sobre o nascimento de Eugénio de Andrade, na Póvoa da Atalaia. Por isso, nesta semana, lembrámos o nosso poeta. No último dia da "Semana de Eugénio de Andrade", para além do poema do homenageado, juntamos 3 beirões - José Monteiro; Herculano Rebordão e António Salvado

[Cova da Beira]

de José Monteiro *

TERRAS DA BEIRA

Terras da Beira, onde perpassa
a heróica luz duma energia antiga
e o sentimento, o amor e a eterna graça,
- eu vos saúdo, ó terra minha amiga!

Olhai a serra! a preia-mar das cores
como se alastra pelo mês de Abril
quando à floresta chegam os cantores,
e o sol inflama os altos céus de anil.

Gigantes assombrosos, medievais,
à terra dando a sombra que seduz,
dando ao azul seus braços mais e mais. . .

Cerros, planaltos, onde o ar e a luz
têm o vigor das eras patriarcais,
- ó terra santa, abraço a tua cruz!

* - natural do Fundão
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de Herculano Rebordão *

"OLHA, MARIA: A CEREJEIRA EM FLOR ..."
(da ´fala` de "uns Namorados")

Olha, Maria: a cerejeira em flor,
mais feminina planta do pomar,
mais terna do que as outras no amor,
mais linda do que as outras para amar.

Eu a fitei, esta manhã, no alvor
do noivo sol que a vinha desposar,
e nela -enamorado lavrador -
a tua imagem vi transfigurar.

Não vês que tu, ao pé da cerejeira,
minha planta de carne, és a primeira
no gosto e na paixão do meu sentido!

Em breve a cerejeira tem cerejas:
façamos nós, Maria,  se o desejas,
a nossa boda no pomar florido.

* - natural do Souto da Casa (Fundão)

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de Eugénio de Andrade *

ARTE DOS VERSOS

Toda a ciência está aqui
na maneira como esta mulher
dos arredores de Cantão,
ou dos campos de Alpedrinha,
rega quatro ou cinco leiras
de couves: mão  certeira
com a água,
intimidade com a terra,
empenho do coração.
Assim se faz o poema.

* natural de Póvoa da Atalaia (Fundão)

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de António Salvado *

BEIRA BAIXA

Onde as searas cruzam o granito
e a voz do longe é feita de suor.

A suave beleza solitária
das oliveiras raras numa encosta.

A estranha consolação das giestas
tão floridas em campos desolados.

E o verde esperança filho da sem esperança.

*- natural de Castelo Branco

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