Nicolau Santos é Director-adjunto do Expresso, co-apresentador do programa "Expresso da Meia Noite" (às sextas-feiras), na SIC N e regularmente participa em debates televisivos e com comentários nos noticiários. Nicolau Santos tem responsabilidades no universo da comunicação social e, semanalmente, no suplemento Economia do Expresso, tem a rubrica "Cem por Cento", onde comenta os temas da semana. Leio com particular atenção os seus artigos mas, no último fim-de-semana, estranhei (não gostei) a forma como "escreveu" o último iten do texto - "O SE-NHOR MI-NIS-TRO DAS FI-NAN-ÇAS".
Vítor Gaspar, ministro das Finanças em conferência de imprensa, apresentou um estilo a que não estávamos habituados. Pontual, rigoroso, metódico, bem documentado e disciplinado (respondendo a tudo) nas questões colocadas pelos jornalistas. No final pediu desculpa aos jornalistas por "ter começado com um minuto de atraso e ter terminado com um minuto de atraso". A conferência de imprensa (90 minutos) foi anunciada que começaria às 18 horas e terminarias às 19.30 horas.
O ministro Vítor Gaspar tem um tom de voz calmo, audível e com boa dicção. Sem alterar o tom de voz, o ministro manteve, durante os 90 minutos uma boa performance. Para além das explicações, pormenorizações, chamando a atenção para o "quadro que consta no documento entregue" e a metodologia seguida na exposição, poderá ter surpreendido os jornalistas.
Nicolau Santos, no seu artigo, em 28 linhas da última coluna, optou por escrever ao "tom de voz" do ministro, separando as sílabas com um hífen. Não é uma praxis no jornalismo português e europeu. Uma criatividade? Fruto do novo acordo ortográfico?
Talvez mas, sinceramente, não gostei. O primeiro exemplar do semanário Expresso saiu a 6 de Janeiro de 1973 e estive no lançamento do nº. 0, realizado no Hotel Ritz, em Lisboa. Acompanho o semanário ao longo destes anos (fui colaborador, regular, de 1978 a 1980) e tenho acompanhado as "agitações" e o "mar calmo" do jornal e não me recordo deste género de escrita. Não vou tentar analisar as razões que terão levado Nicolau Santos a optar pelo "hífen" mas que não gostei . . . não gostei.
Embora o "hífen", como está no dicionário, sirva "para separar, na escrita, elementos de vocábulos compostos . . .", espero que Nicolau Santos, em futuros artigos, respeite a língua de Camões, mesmo com o novo acordo ortográfico, colocando o "hífen" em seu devido lugar e, como especialista em assuntos económicos, sem recorre à "inflação".

2 comentários:
Gostei da inflacção dos hifens
Às vezes que o jornalista Nicolau gagueja.
Não poderá passar a escrever gaguejando?
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