José Alfredo Vilhena Rodrigues, nascido na aldeia de Freixedas (Guarda), a 7 de Julho de 1927, tornou-se conhecido por José Vilhena - cartonista, desenhador, caricaturista e humorista de grande qualidade. O seu inconfundível traço não é alheio o facto de ter estudado Belas Artes (Arquitectara) no Porto. Abandonou os estudos e na década de 50 fixa-se em Lisboa, na zona do Bairro Alto, onde desenha cartoons para o Diário de Lisboa , "Cara Alegre" e a sua grande publicação, "O Mundo Ri". Esta publicação tem a ver com a rapaziada da minha geração pois, a partir de uma certa altura passou a ser impressa na Tipografia do Jornal do Fundão, onde também foram impressos os célebres exemplares da "Pulhice Humana".Antes do 25 de Abril escreveu e ilustrou cerca de 60 livros que lhe causaram muitos problemas, com a censura, por causa da sua veia satírica política e o desenho de figuras femininas sensuais e provocantes, tendo estado preso por 3 vezes.
Após o 25 de Abril, a 7 de Maio de 1974, lança a "Gaiola Aberta" onda as figuras políticas substituiriam as curvas arredondadas das figuras femininas. No entanto, foi no período da democracia que Vilhena teve um processo complicado, devido a uma fotomontagem que envolvia a princesa Carolina Grimaldi (Mónaco)
mas, em Tribunal, defendeu-se com sucesso e não foi condenado. Foram 4 anos muito complicados. Retoma o "Fala Barato" em forma de jornal e mais tarde passa a revista. O "Manual de Etiquetas" foi uma excelente série de textos humoristicos. Paralelamente com a actividade editorial, José Vilhena, que sempre foi um apaixonado da vida nocturna, torna-se dono das boîtes "Noite e Dia" e "Confidencial".
mas, em Tribunal, defendeu-se com sucesso e não foi condenado. Foram 4 anos muito complicados. Retoma o "Fala Barato" em forma de jornal e mais tarde passa a revista. O "Manual de Etiquetas" foi uma excelente série de textos humoristicos. Paralelamente com a actividade editorial, José Vilhena, que sempre foi um apaixonado da vida nocturna, torna-se dono das boîtes "Noite e Dia" e "Confidencial".No final da década de 1950, José Vilhena (realizador, produtor e actor - fazia de Padre), filma no Fundão "O quinto pecado". Filme feito com técnicos e actores fundanenses. Mexeu com a vila e a juventude que se dispôs a colaborar em diversas vertentes das filmagens. O filme ficou pronto mas até hoje nunca foi montado. Existe e Vilhena entregou-o a um jovem fundanense. É possível que um dia "O quinto pecado" seja estreado. Tive a oportunidade de conviver com Vilhena no período das filmagens e, mais tarde, em pequenas turtulias lisboetas. Tenho a ideia que José Vilhena foi sempre um homem de uma grande liberdade.
Este post é a homenagem a um grande artista que, felizmente, ainda está entre nós. Não será a altura do Fundão fazer uma exposição com as suas obras?

3 comentários:
Um abraço por ter trazido o maior cartonista português para o espaço da blogoesfera.
José de Sousa
Lembro-me muito bem do Mundo Ri. Para além dos desenhos e mulheres fabulosas, havia sempre um velhinho simpático com avultada carteira.
Pensava que JV tinha morrido. Ainda bem que está vivo
O egitaniense
Curioso. Na passada semana arrumava o escritório e reencontrei A "História Universal da Pulhice Humana - O Egipto". Como se lê bem e depressa, foi a m/leitura do fim de semana. É pena que nos dias de hoje o Vilhena não nos delicie com os seus desenhos e observações. Tinha pano para mangas e livros e livros.
José de Castro
Enviar um comentário