Lembram-se do entusiasmo com a organização do Euro-2004? Lembram-se da tarefa agrícola de "semear" estádios por todo o Portugal?
Certamente já não se lembram dos dinheiros gastos com tal sementeira. Na altura, apesar de meia dúzia de vozes terem chamado a atenção para tal sementeira, rapidamente foram ofuscadas. O "interesse nacional" . . . a "promoção do país" . . . etc., foram razões apresentadas para tal investimento. Em Julho de 2011, decorridos 7 anos, quem esteve e apoiou tal "sementeira" (em terrenos que não havia condições para uma boa produção), já não se lembra quem foi o responsável pela prática desta lavoura. Não interessa mas, agora, passados 7 anos, qual é o resultado da "colheita"?
O famoso Estádio do Algarve é o que sempre foi. Foi para 2 jogos do Euro-2004 e um jogo anual da Taça da Liga que, já nem essa final se disputa no Algarve. O Olhanense, que participa no escalão maior da Liga realiza os seus jogos no Estádio Municipal de Olhão.
O União de Leiria que não consegue pagar a dívida de 250 mil euros à Leirisport, nas próximas 3 épocas, vai jogar na Marinha Grande.
Em Coimbra e Aveiro, Estádios com capacidade para 30.000 lugares, andam às moscas e continuam a aumentar os défices de exploração. Sobre os outros Estádios, embora se continuem a realizar jogos (umas vezes com boas casas outras com poucos adeptos), há facturas que aguardam melhores dias, apesar das empresas estarem, permanentemente, a bater à porta.
A situação dos Estádios do Euro-2004 é uma parte dos problemas com que se debate o futebol profissional. No início da actual época desportiva, os jornais e televisões, diariamente noticiam os milhões de euros inerentes à venda e à compra de jogadores. Perante estas notícias, registo o agrado e o contentamento do povo pelo que que se passa no
"mundo" do futebol português.
Perante esta preocupante situação, ocorre-me uma das imagens felizes como o saudoso jornalista Jorge Perestrelo relatava os seus jogos:
"É disto que o meu povo gosta".
O povo português gosta do futebol mas os responsáveis políticos portugueses têm que começar a gostar do rigor e da gestão dos parcos recursos financeiros deste Povo.

2 comentários:
Será coincidência Portugal ter tido o Euro 2004 e nesse mesmo ano a Grécia ter tido umas Olipíadas,ou será que isso levou estes países ao estado em que estão.As obras foram muitas e as dívidas aí estão.
Bem lembrado, luas.
É provável que os dois eventos desportivas tenham a sua importância na actual situação económico-financeira em (como agora se diz) 2 estados membros do sul da europa, mas há outros "temperos" para a actual "salada" que se vive por cá e por lá (Grécia).
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