Em Portugal, por vezes, nota-se uma tendência para esquecer algumas datas ou de comemorar certos acontecimentos.
Amanhã passam 369 anos sobre a Restauração da Independência, após 60 anos de domínio castelhano - dinastia Filipina -, onde um punhado de bons portugueses recuperou a nossa soberania e colocou D. João IV, no trono - Rei de Portugal.
O 1 de Dezembro é feriado nacional mas já pouco se fala da importância desta data. Para os mais novos é mais um feriado.
No entanto, na minha terra - Fundão - o 1 de Dezembro é recordado e mantêm-se a tradição de fazer a Arruada para lembrar o que os portugueses de "então" fizeram.
Houve um período da nossa sociedade em que a Arruada perdeu alguma dinâmica, mas um conjunto de "poucos muitos e bons fundanenses" mantiveram a tradição. Nos últimos anos a Arruada está bem viva e cada ano que passa a "multidão" engrossa, onde a participação das mulheres é significativa. A tradição mantêm-se e está bem viva.
Logo, à noite, nos últimos minutos do dia, a boa gente da minha terra, junta-se na Praça do Município, ao redor do Pelourinho.

Nos últimos segundos do último dia de Novembro, a multidão
entra em silêncio e aguarda pelo início das
12 badaladas do relógio da Câmara.
Em simultâneo, com as badaladas, o "coro" vai gritando:
- 1 . . . 2 . . . 3 . . . . . . 10 . . . 11 . . . 12 .
No primeiro segundo do novo dia - 1 de Dezembro - o "coro", ao som da banda musical, em uníssono, canta o Hino Nacional.
Após o Hino Nacional ser entoado, os fundanenses iniciam a Arruada por todas as ruas da cidade (só se remetem ao silêncio na passagem pelo Hospital), cantando o
Hino da Restauração
Portugueses celebremos
O dia da Redenção
Em que valentes guerreiros
Nos deram, livre, a Nação
A Fé dos campos d´ Ourique,
Coragem deu, e valor
Aos famosos de quarenta
Que lutaram com ardor
P´ra frente! P´ra frente!
Repetir saberemos
As proezas portuguesas,
Avante, Avante!
É a voz que soará triunfal.
Vá avante, mocidade de Portugal!
«» «» «» «»
Não há registos sobre a Arruada mas pelos depoimentos dos mais velhos . . . "O meu pai conta que o seu bisavô . . .", seguramente, podemos afirmar que os fundanenses há mais de 200 anos que mantêm esta tradição, evocando e cantando "Portugueses celebremos. . . ."
Logo, à noite, não posso participar na Arruada mas, em espírito, com a última badalada da meia-noite, acompanharei os meus amigos e recordarei o trajecto da Arruada - rua a rua. Noutros tempos, um espanhol (simpático) residia no Fundão. Ao passarmos à "Casa do espanhol" (senhor Albino, empregado de mesa no Café Aliança, na Praça Velha) os décibeis atingiam os valores de Maria Callas. Outros tempos . . .