Miguel Torga - Diário VI
Coimbra, 16 de Junho de 1952
SECURA
Cai a chuva nos campos ressequidos,
E a verdura desperta.
Água que desce em regos paralelos,
Repartida no crivo da igualdade.
Toda a sede de amor pode beber
Da grande fonte maternal do céu.
Todas as ervas, todas as culturas,
Todas as criaturas,
Menos eu.

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