quarta-feira, abril 22, 2009

OLIVEIRA SALAZAR


Num armazém no Pendão, em Queluz, dependente da Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros, um zeloso funcionário - Agostinho Torrado, 58 anos - encontrou 3.000 pastas com correspondência pessoal do Dr. Oliveira Salazar.
O armazém recebe de tudo. Publicações, armários, cadeiras, etc. O espólio do extinto Secretariado Nacional da Informação foi lá colocado, há mais de 30 anos, e estava em trânsito do Palácio Foz para a Torre do Tombo. Pelos vistos um "trânsito" parado e arrumado.
"Descoberta" a documentação, o espólio foi levado para a Torre do Tombo.
Nos últimos tempos alguns historiadores têm andado, à pressa, a escrever sobre a história contemporânea. E escreveram com a convicção de que é a história verdadeira.

Se este achado permitir refazer uma parte da História do Estado Novo, de 1938 a 1957, como é que vai ficar um certo historiador da nossa praça?


4 comentários:

Firefly disse...

Vai ficar muito mais longe de receber subsídio de desemprego, caro Eduardo.

Ficará com muito mais trabalho e muito mais material para publicar, logo a fonte continua a gerar bom rendimento.

Eduardo Saraiva disse...

Cara Firefly
O rendimento, sinceramente, não me preocupa muito, embora considere que o rendimento que auferimos tem que conresponder a um trabalho honesto.
Ao escrever o post, o que me preocupa verdadeiramente, é a honestidade no trabalho cientifico. O rigor na pesquisa e a verdade com que se escreve. É que andam para aí certas pessoas a brincar com a nossa História.
Volte sempre.

Firefly disse...

Caro Eduardo,

Estava aqui a tentar encontrar as palavras para responder à sua preocupação. Infelizmente, não as encontrei.

Embora compreenda, perfeitamente, a sua preocupação e não sendo fã dessas "certas pessoas" que andam para aí "a brincar com a nossa História", também não posso ignorar que é provável que o nível de rigor científico no âmbito das ciências exactas seja superior ao existente nas ciências sociais.

Interpretar a História está longe de ser uma tarefa fácil e interpretar a História contemporânea é, quando muitos dos intervenientes (da facção oposta) ainda estão vivos, bastante complicado.

Não sei se já algum dia teve oportunidade de olhar para os livros de História de Espanha, mas uma das coisas mais fabulosas que vi nesses livros foi a forma como eles relatam a independência de Portugal. Para eles tratou-se de uma guerra de secessão, para nós nem tanto.

Isto quer apenas dizer que a nós resta-nos esperar que esse trabalho de pesquisa seja, de facto, rigoroso e honesto.

Eduardo Saraiva disse...

Cara Firefly
Concordo consigo. Sempre considerei que a História tem que ser feita com distanciamento, sem paixão e ódios. Um tempo necessário para a investigação, para a consulta de N documentos e útil reflexão sobre uma realidade que aconteceu muitos anos, atrás, e com a realidade da altura.
Como andam para aí alguns historiadores a escrever sobre o que aconteceu há meia dúzia de anos . . . estou preocupado porque, como diz o Povo, "uma mentira repetida 1.000 vezes passa a verdade".
Outra curiosidade é que certos historiadores têm o acesso facilitado aos media.
Quando se abrirem alguns "baús" e forem encontrados documentos que podem refazer a história, quero ver a cara desses "heróis".
Um bom fim-de-semana