sábado, janeiro 31, 2009

VENTO


FLORBELA ESPANCA *

AO VENTO


O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas ásperas de demente;
E esta minh´ alma trágica e doente
Não sabe se há-de rir ou chorar!

Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que rir de mim, sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amar,
A tua voz tortura toda a gente!. . .

Vale~te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim! . . . Ó vento, chora!

Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
E a gente andar a rir pla vida fora! ! . . .

* - Vila Viçosa, 1894 - Matosinhos, 1930.

2 comentários:

RicardoN disse...

Prémio para você no meu blog (http://golfinhoalegre.blogspot.com).
Muito sucesso!

Melhores cumprimentos

Eduardo Saraiva disse...

Obrigado. Tambem desejo o v/sucesso