terça-feira, janeiro 20, 2009

VENTO (7)

de Ana Luísa Amaral *


No meu poema ficaste
de pernas para
o ar
(mas também eu
Já estive tantas vezes)

Por entre versos vejo-te as mãos
no chão
do meu poema
e os pés tocando o título
(a haver quando eu
quiser)

Enquanto o meu desejo assim serás:
incómodo estatuto:
preciso de escrever-te
de avesso
para te amar em excesso

* - Natural do Porto, 1956 – Professora universitária de Línguas Modernas

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