22 de JANEIRO de 2009 (3ª. Feira)
CREL - 13 horas e 15 minutos
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Sol - sem vento - pás paradas
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FUNDÃO - 15 horas e 30 minutos
Os farrapos de neve começaram a cair, trazendo á nossa memória o poema de Augusto Gil - Balada da Neve.
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Batem leve, levemente,
como quem chama por mim,
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho . . .
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria. . .
- Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
*
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime a traça
na brancura do caminho. . .
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança. . .
duns pezitos de criança. . .
*
E descalcinhos, doridos. . .
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!. . .
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!. . .
Porque padecem assim?! . . .
*
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
- e cai no meu coração.

1 comentário:
Bonito
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