Julgo que muitos portugueses estiveram com atenção ao debate quinzenal que hoje se realizou na Assembleia da República. Por uma razão muito simples. A actual situação económico financeira e o desemprego (para ficarmos por aqui), deveriam merecer da parte dos deputados e do Governo alguma atenção e uma tentativa de suavizar, dentro do actual quadro, o dia-a-dia dos portugueses.
Escutei com atenção as intervenções e, sinceramente, não gostei. Parece que o Primeiro-ministro e os líderes das bancadas passam a vida a olhar para o umbigo. Sei que 2009 é um ano especial em termos eleitorais. São 3 actos eleitorais.
Mas a vida para os portugueses não está nada fácil. O que me aborrece é que os debates dão a ideia que aqueles senhores estão-se borrifando para quem os elegeu; para quem está desempregado; para quem procura o primeiro emprego; para quem tem dificuldades em pagar a renda de casa; etc.
Se os senhores deputados, Primeiro-ministro e ministros não despertam para a dura realidade, os portugueses podem divorciar-se da classe política e um divórcio é sempre um divórcio.
Salvaguardando as devidas proporções, quando consulto documentos dos tempos da primeira república, fica-me a ideia que há uma grande similaritude com os tempos de hoje.
Vem-me sempre à memória a queda do Governo liderado por António Maria (1926). O debate era tão interessante que o Chefe do Governo, António Maria, deixou-se dormir de barriga para o ar.
Como alguns deputados estavam acordados deitaram abaixo o "pobre" do António Maria Assim caiu o poder, na altura.
Com as imagens dos debates, do presente, tenho a ideia que muitos deputados e ministros passam pelas brasas. O pior que pode acontecer a uma democracia jovem (como a nossa) é os deputados passarem pelas brasas. Às vezes despertam com o ruído e põem-se a bater palmas. Aumentam o ruído.


2 comentários:
Dispenso espectáculos deprimentes, e há muito que me divorciei da política à portuguesa.
Abraço do Zé
-Quem utiliza o twitter teve oportunidade de interagir com deputados durante o debate. Foi fantástico.
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