
«Brasão: escudo de prata, castanheiro de verde frutado de ouro, troncado e arrancado de negro, acompanhado em chefe por dois grupos de três de peras de verde, sustidas e folhadas do mesmo, em contra-chefe, terrado de negro, realçado de verdo, formando duas encostas que acompanham o tronco do castanheiro, o terrado cortado por três faixetas onduladas, duas de prata e uma de azul. Coroa mural de prata de cinco torres.
Listel branco, com a legenda a negro: "Fundão".
Bandeira: girândola de oito peças de verde e branco. Cordão e borlas de prata e verde. Hasta e lança de ouro.
Hoje comemora-se o 260º. Aniversário da criação do Concelho do Fundão.
Por isso, o nosso Fundão está em festa.
Embora não se possa, com precisão, indicar em que época o Fundão começou a sua existência de povoação, com vida própria, o mais antigo texto que refere a aldeia do Fundão é “a inquirição de D. Diniz”, de cerca de 1314.
Também o “Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros que havia nos reinos de Portugal e Algarve pelos anos de 1320 ou 1321” , no respeitante à diocese da Guarda, refere que em 1321, a igreja de S. Martinho do Fundão era taxada em 50 libras .
Estamos a referir dados de há 693 anos.
O citado Catálogo, que testava as rendas eclesiásticas – então um dos mais seguros indicadores da importância das povoações – referia que entre as “localidades do termo da Covilhã, o lugar do Fundão, só se lhe avantajando Aldeia de Joanne, lugar tão próximo que é quasi o prolongamento daquele, e Castelo Novo, vila com foral e porventura alguma igreja das Ordem de Cristo taxadas em conjunto”.
Podemos afirmar que o Fundão já existia, pois, em condições de desenvolvimento, no reinado de D. Dinis.
No Alvará de 15 de Janeiro de 1569, que referia determinada pretensão dos fundanenses, se infere a importância que a terra continuava a ter no século XVI.
Ali se relata que os oficiais do lugar do Fundão alegavam, como fundamento, no que a El-Rei pediam, ser o mesmo lugar “mui grande de mais de 500 vizinhos” e de “muito grande trato e a mais honrada aldeia que no reino há”.
Como se vê, por esta transcrição, os fundanenses não deixavam os seus créditos por mãos alheias, ao procurarem a emancipação da sua vizinha Covilhã, como afinal e definitivamente, vieram a conseguir em Carta Régia , de 23 de Dezembro de 1746, da Chancelaria de D. João V, que refere “sou servido mandar se crie de novo em vila ao lugar de Fundão”.
Decorridos 5 meses, em 10 de Maio de 1747, é publicada Nova Carta Régia, a Carta de erecção e criação do dito lugar em Vila.
Em sequência da Nova Carta Régia, no dia 9 de Junho, desse ano, realiza-se a primeira reunião dos Vereadores da Câmara.
Não admira que os fundanenses, como sempre o mostraram, se orgulhem da sua linda terra. Por isso, não surpreende que o Vilão, no Auto da Festa de Gil Vicente, ao apresentar-se ante a Verdade, a auscultá-la sobre a sua apelação se apressasse a declarar-lhe:
Eu sou de cima da Beira
lá de junto do Fundão
Neste dia, é de inteira justiça recordarmos e homenagearmos os homens que deram corpo à primeira Vereação – o Presidente, Dr. Henrique Rozalles Barreiros e os Vereadores Diogo de Brito Homem; João Filipe Pereira da Câmara e Oliveira e Manuel Alvares Palhou, assim como todos os cidadãos que integraram as 87 vereações seguintes, até aos dias de hoje.
O Fundão está em festa. É importante comemorarmos e recordarmos esta efeméride, numa altura em que o Poder Local assume um papel decisivo na nossa sociedade. Uma sociedade, cada vez mais globalizada onde, o tempo presente, temos que reconhecer, é um tempo de mudança, onde tudo se altera a um ritmo vertiginoso que, não raras vezes deixa perturbado os indivíduos, os grupos e as instituições.
Neste tempo de mudança, há que reconhecer que essa mutação tem uma dimensão civilizacional profunda, com origem na revolução que a ciência, a técnica e a tecnologia vêm, sucessivamente, assumindo.
E, porventura, a principal referência desta mudança civilizacional é a exaltação do conhecimento, convertido em base única do progresso individual, comunitário, regional ou autárquico.
Por tudo isto, no Aniversário do Concelho do Fundão, ao comemorarmos os 260 anos, envolvo todos os homens e mulheres da nossa terra, num abraço fraterno e formulo votos para que todos os cidadãos, que desempenham funções, nos mais diversos órgãos Autárquicos, continuem a pugnar pelo desenvolvimento da nossa região.
Temos que saber agir.
Quem não agir a tempo, atrasa-se, irremediavelmente, na caminhada para o futuro.
É fundamental estar no futuro.
Não podemos perder o futuro e o Fundão tem que saber estar no futuro.
É uma exigência dos nossos antepassados e dos nossos filhos.